Navavidha Bhakti: as 9 Formas da Devoção, segundo Rama no épico Ramayana

09/02/2020

 

 

Ramayana é um grande épico indiano que descreve a passagem do avatar Rama sobre a Terra na época da Treta Yuga – a Era de Prata da humanidade que seguiu-se após a Era de Ouro (Satya Yuga). Em sânscrito Ayana significa "avançando, indo", então Ramayana traduz-se como "A viagem de Rama". 

 

Rama era um príncipe popular, virtuoso e querido em Ayodhya, o local onde vivia. Era o filho mais velho do rei Dasaratha. 

 

Todo drama se inicia quando o rei se vê forçado a mandar Rama para floresta, em exílio, por 14 anos por causa de uma de suas esposas chamada Kaikeyi. A rainha queria que seu filho fosse coroado rei ao invés de Rama que, sendo o filho mais velho seria o sucessor de Dasaratha ao trono.

 

Rama parte para o exílio com Lakshamana, seu irmão e com sua esposa Sita. Lá, ela acaba sendo raptada por um demônio chamado Ravana. A principal parte da história descreve a saga de Rama em busca de Sita que fora aprisionada no Sri Lanka. Para isto, Rama conta com a ajuda de Hanunan ji e seu exército de Vanaras (símios humanóides).

 

A história de Shabari

 

Toda a trajetória de Rama, desde seu nascimento até sua morte foi compilada em sete livros escritos por Valmiki. Cada livro descreve uma parte da heróica vida do Avatar além de trazer inúmeros exemplos de virtudes e ensinamentos que são de grande valia mesmo para os dias atuais.

 

 

Imagem: fonte

 

Uma dessas histórias fala sobre o encontro de Rama com uma velha mulher asceta chamada Shabari. De acordo com a história, Shabari nascera em uma família tribal na qual o pai era um caçador. No entanto, ela era uma buscadora espiritual e por isto deixou sua família e passou a perambular pela floresta até encontrar o ashram do sábio Matanga, o qual passou a servir oferecendo-lhe alimentos e varrendo os arredores do local.

 

Passados muitos anos de seva (serviço), o sábio que estava prestes a deixar o mundo físico abençoou Shabari dizendo que ela seria agraciada com o darshan (visão) do Senhor Rama. Ele então a instruiu a esperar pela chegada de Rama no local. 

 

A Chegada de Rama

 

Todos os dias, com a ajuda de um cajado, Shabari saía do ashram para colher frutos silvestres para oferecer a Rama. Curiosamente, ela experimentava os frutos colhidos e armazenava apenas os frutos doces para oferecer a Rama descartando aqueles que estava azedos.

 

Shabari ganhou o coração de Rama, apesar de desconhecer todas as etiquetas e cerimônias de pujas e oferendas às deidades. Ao ver que o Senhor Rama havia mesmo chegado ao ashram ela disse: 

 

"Existem tantos iogues avançados esperando por seu darshan, mas você veio até mim. Isso mostra claramente que você não vê se um devoto vive em um palácio ou em uma cabana humilde, não vê se é erudito ou ignorante, nem vê casta nem cor. Você vê apenas o verdadeiro bhakti e não tenho nada a oferecer além do meu coração, mas aqui estão alguns frutos silvestres. Espero que lhe agrade, meu Senhor".

 

Dizendo isso, Shabari ofereceu os frutos que coletara meticulosamente a Rama. Quando Rama os aceitou, Lakshmana preocupadamente disse que Shabari já havia provado os frutos e que, portanto, não mereciam ser aceitos.

 

Ouvindo isso, Rama disse que, de muitos tipos de alimentos que provara, "nada poderia se igualar a esses frutos, oferecidos com tanta devoção. Aquele que oferece frutas, folhas, flores ou um pouco de água com amor, aceito com grande alegria.

 

 

Navavidha Bhakti: Ensinamentos de Rama sobre a devoção

 

Em seguida, Rama faz um discurso a Shabari no qual fala sobre as nove formas de devoção e caminhos para se conectar a Deus. São elas:

 

1. Satsang: Manter a companhia de santos e devotos

 

2. Hari Katha: Ouvir com alegria discursos e histórias a respeito das deidades

 

3. Serviço ao guru: serviço abnegado ao mestre espiritual é o terceiro caminho

 

4. Cânticos à Deus: ouvir e cantar sobre as virtudes das deidades sem incompreensões ou hipocrisias

 

5. Cantar os nomes de Deus: forma mais eficaz de conectar-se com Deus é cantar e refletir sobre seus nomes, como os Vedas recomendam

 

6. Praticar o auto-controle: cultivar um bom caráter, cultivar o desapego de atividades do mundo ao mesmo tempo cumprindo suas obrigações

 

7. Cultivar o Bhava "Vaasudevah Sarvam", ou seja, ter a cognição de que o Mundo é o próprio Deus e considerar os santos como mais elevado que o próprio Deus

 

8. Ser grato pelo que for que a vida trouxer: neste estado onde não há qualquer desejo, mas apenas paz e contentamento não há espaço para culpar outras pessoas até mesmo nos sonhos

 

9. Equanimidade: neste estado onde há completa rendição à Deus não há nem euforia nem depressão em qualquer circunstância da vida, mas completa fé e rendição

 

 

As 9 Formas de Devoção, em sânscrito, listadas por Prahlada são:

 

1. Shravana (Escutar)

2. Kirtana (Entoar)

3. Smarana (Lembrar)

4. Pada-Seva (Serviço)

5. Archana (Adorar)

6. Vandana (Prostrar-se)

7. Dasya (Render-se)

8. Sakhya (Associar-se)

9. Atma-Nivedana (Suplicar)


 

Imagem inicial: fonte

 

 

 

 

 

 

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